Não importa o quanto esteja difícil ou o quanto de desesperança você tenha acumulado.
Quantas vezes for preciso, contrariando a tudo e a todos, jamais perca a capacidade de se emocionar diante da vida.
Posso não saber o que acontece com você, mesmo correndo o risco de parecer clichê,
de uma coisa eu tenho certeza, você vale a pena!
Entre e desperte...

sexta-feira, 1 de abril de 2016

marÉS...




Despertei com um gosto sentido de coisas guardadas em gavetas fechadas, lugares que me chamam, clamam por meu olhar de menina crescida que com o joelho ralado sorri um sorriso assustado, chora um choro delicado, como quem não quer fazer estardalhaço nem de alegria e nem de tristeza, recitando orações e desejando que um anjo poeta pegue-me no colo, diga-me coisas de amor.


Em um mundo onde o verbo sentir não se conjuga mais, o jeito é cobrir com as mãos a face sentida, procurando a respiração para que a oxigenação possa compor canções de ninar.

Procuro nos fragmentos do dia motivos inteiros, nuances que justifiquem essa gente que sofre por falta de abraço, neste eterno descompasso entre a alma e o mundo de concreto.

E quando quase canso, quase desisto, quase deixo as marés conduzirem sem rumo o meu barco, o oceano já navegado me olha com olhos marejados, e me diz:

Amo-te!



[Rita Martins]