Despertei com um gosto sentido de coisas guardadas em gavetas fechadas, lugares que me chamam, clamam por meu olhar de menina crescida que com o joelho ralado sorri um sorriso assustado, chora um choro delicado, como quem não quer fazer estardalhaço nem de alegria e nem de tristeza, recitando orações e desejando que um anjo poeta pegue-me no colo, diga-me coisas de amor.
Procuro nos fragmentos do dia motivos inteiros, nuances que justifiquem essa gente que sofre por falta de abraço, neste eterno descompasso entre a alma e o mundo de concreto.
E quando quase canso, quase desisto, quase deixo as marés conduzirem sem rumo o meu barco, o oceano já navegado me olha com olhos marejados, e me diz:
Amo-te!
[Rita Martins]
Amo-te!

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